Terça-feira, Setembro 09, 2008

de Rui Barbosa a Zélia Cardoso


Mantega, tentando entender a relação entre as políticas fiscal e monetária

Celebração dos 200 anos do Ministério da Fazenda, em Brasília. Vários ex-ministros zurraram gostosamente sobre juros, câmbio e inflação. Nenhum, naturalmente, julgou necessário dar satisfações sobre seu desempenho qua titular da pasta. O que é perfeitamente compreensível, quando se vai aos números. Na gestão Delfim Netto, que durou 7 anos, a inflação acumulada foi de 268,36%. Na de Ernane Galvêas, que durou 5 anos, foi de 6.430,24%. Francisco Dornelles, em 5 meses, deixou uma inflação acumulada de 58,8%. Bresser Pereira, em 8 meses, conseguiu 182,78%. Zélia Cardoso, em 13 meses, acumulou 383,49%. E Paulo Haddad, em apenas um trimestre, fez nossa moeda desvalorizar-se em 99,5%. Diante desses números, é compreensível que silenciem sobre o passado. O que não é compreensível é que se sintam confortáveis para vir a público dar lições sobre como as políticas monetária, cambial e fiscal devem ser conduzidas. Falta-nos aí um pouco dos valores japoneses: lá, o ministro da fazenda responsável por uma inflação de 6.430,24% salvaria sua honra por meio do suicídio. Desgraçadamente não se encontram tais gestos de nobreza por aqui - afinal, como diria Diego Hipólito, a inflação não foi controlada porque "Deus não quis" (e ainda se espera do povo que aplauda nossos tombos olímpicos e monetários).