Sexta-feira, Abril 18, 2008

nós e a pirâmide

A identidade da pessoa que matou a tal menina em São Paulo é irrelevante (construíram um parquinho barulhento bem embaixo da minha janela, no início do ano, e desde então diversos e criativos pensamentos infanticidas me ocorrem com preocupante freqüência; pensamentos desse tipo devem ocorrer a muitas outras pessoas e, sendo assim, não deveria surpreender que ocasionalmente alguém passe do desejo à ação).

A grande questão nacional, aquilo que realmente diz algo sobre o país em que vivemos, a pergunta que realmente intriga e comove é: o que fazem da vida as dezenas de desgraçados da foto abaixo?



Ok, uma parte são jornalistas cobrindo o caso. Mas e o resto? Essa gente não trabalha? Não estuda? Não está ao menos em busca de trabalho ou de estudo? A foto foi tirada na manhã de uma sexta-feira, portanto em pleno dia útil e em horário comercial. Por que essa corja desocupada não vai procurar coisa melhor pra fazer? - ler o último livro do Diogo Mainardi, sei lá. Dentre todos os usos possíveis para o meu tempo, confeccionar faixas de protesto (contra qualquer coisa; mas especialmente contra algo que já aconteceu e que portanto não pode ser alterado) e passar o dia a empunhá-las sob o sol, na companhia de um bando de gente repulsiva, seria a opção mais detestável.

Momentos assim reforçam minha crença de que, na pirâmide alexandrina das gentes, o Brasil inteiro cabe no primeiro piso.

Terça-feira, Abril 08, 2008

no que deu a TV pública

Da Folha de São Paulo:

Jornalista acusa Planalto de interferir na TV Brasil

"Não podíamos falar dossiê, mas "levantamento sobre uso dos cartões", diz Luiz Lobo

De acordo com Lobo, nas reportagens sobre Planalto, Presidência, economia e política, "há um cuidado que vai além do jornalístico"

DANIEL CASTRO
COLUNISTA DA FOLHA

Primeiro âncora da TV Brasil, o jornalista Luiz Lobo, 42, afirma que o Palácio do Planalto interfere no jornalismo praticado pela TV pública federal, lançada pelo governo Lula, em dezembro, com a promessa de que não seria uma emissora chapa-branca. "Existe, sim, interferência do Planalto lá dentro. Há um cuidado que vai além do jornalístico", afirma.

Lobo foi demitido na última sexta-feira, segundo ele, por ter resistido às interferências. Afirma que o Planalto controla o conteúdo das reportagens por meio da jornalista Jaqueline Paiva, mulher do também jornalista Nelson Breve, assessor de imprensa da Presidência da República. Lobo era também editor-chefe do "Repórter Brasil", primeiro e único, até agora, programa da TV Brasil. Jaqueline ocupa o cargo de coordenadora de telejornais.

Lobo diz que a "pressão" aumentou nas últimas duas semanas, quando a crise dos cartões corporativos atingiu a ministra Dilma Rousseff, com o vazamento de um dossiê, elaborado pela Casa Civil, de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, Ruth Cardoso.

"Não podíamos falar em dossiê, mas em "levantamento sobre uso dos cartões". Depois, a orientação era falar "suposto dossiê'", relata Lobo.


Autonomia
"Todo texto sobre Planalto, Presidência, política e economia tem que passar por ela [Jaqueline Paiva]. É ela quem edita, faz as cabeças [a introdução das reportagens de televisão, lida pelo apresentador]. Existe um poder dentro daquela redação. Eu era editor-chefe, mas perdi autonomia até para fazer a escalada [as manchetes de um telejornal]. A Jaqueline muda os textos dos repórteres freqüentemente. Há muita insatisfação entre os jornalistas", afirma.

Outro exemplo de interferência, de acordo com Lobo, foi a orientação para, nas reportagens sobre deficiências da saúde pública, informar que o setor sofreu um corte orçamentário devido ao fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). A derrubada da CPMF foi uma vitória da oposição.
"Fizemos uma reportagem falando que a verba do SUS [Sistema Único de Saúde] acabaria antes do fim do ano. A Helena [Chagas, diretora de jornalismo da TV Brasil] me chamou na sala dela e disse que era um absurdo uma matéria daquelas ir ao ar, porque em nenhum momento mencionava a falta dos bilhões da CPMF", diz.

Lobo e Jaqueline Paiva travavam embates quase diários na redação de Brasília da TV Brasil. Para o jornalista, a função de Jaqueline deveria ser a de dar direcionamento ao telejornal, não a de editá-lo. "Nunca gravei nem uma nota que ela [Jaqueline Paiva] não revisasse. Não vou dizer que fui um editor-chefe de faz-de-conta porque lutei muito", afirma.


Para Lobo, o espaço dado à oposição na TV Brasil é um disfarce. "A forma que se encontrou para mostrar que a TV não era chapa-branca foi ouvir os dois lados. Mas isso é obrigatório no jornalismo."


A demissão de Lobo ocorreu dois dias depois de ele, como conta, ter relatado interferências a Orlando Senna, diretor-geral da TV Brasil.


O jornalista, que trabalhou durante seis anos na PBS (TV pública americana), afirma que continua acreditando no projeto: "Sou defensor da TV Brasil. Ainda acredito no projeto de uma TV pública. Mas de domínio público, não estatal".

Segunda-feira, Março 24, 2008

on writing well

Assume that you are the writer sitting down to write. You think your article must be of a certain lenght or it won't seem important. You think how august it will look in print. You think of all the people who will read it. You think that its style must dazzle. No wonder you tighten; you are so busy thinking of your awesome responsibility to the finished article that you can't even start. Yet you vow to be worthy of the task, and, casting about for grand phrases that wouldn't occur to you if you weren't trying so hard to make an impression, you plunge in.

Daqui.

Quinta-feira, Março 20, 2008

a vida como ela é

"Eis como Fabiana, amiga querida, linda e sem-vergonha, culta e inteligente, bem resolvida e promíscua, jornalista e produtora, descreve seu método de caça:

'A gente vai pra balada, ela [sua amiga] pega um e fica com ele, de namoradinha, a noite toda. Eu não consigo nem dizer minha idade direito. Eu só beijo e amasso e saio, e volto se me cruzar com ele de novo, caso role, mas não consigo ficar juntinho e papear e nada. Porque o que me interessa nesses homens é o quê? Beijo na boca, só. Eu vou falar de quê? Vou contar o quê, pra quê? Eu não, eu me pico.'

Depois, ela desabafa:

'Nesta porra dessa cidade, não tem um homem que preste! Tipo, sexo é facil, mas porra, só tem homem de merda! Não precisa nem prestar! Só precisa ter um tiquinho de bons atributos! E nããããããããããããããããão existe! Te juro, Alex! Homem que valha a pena atenção, aqui, conto nos dedos. São uns três. Neste tempo todo de solteira, um ano quase, fiquei com 9 mil homens. Uns 6 valem algum trocado.'

E eu, medindo as palavras pra não parecer o moralista que eu não sou, respondo:

Tem muito homem que vale mais que uns trocados, mas eles não estão na gandaia apalpando e beijando gente que nem conhecem. Não estou criticando sua vida mas, enquanto estiver nela, você também só vai encontrar homens que querem estar nela, os que estão soltos por aí, em busca de beijos e amassos e nada mais.

Homem solteiro, depois de certa idade, é porque tem sérios defeitos de fabricação, senão alguma mulher já teria pego pra criar e pôr juízo. Homem só vira homem depois que passa pelas mãos de uma mulher. Esses solteiros convictos que nunca foram casados, esses pegadores profissionais que nunca nem tiveram namoro longo, são todos uns bebezões imaturos, mesmo que tenham 45 anos. Especialmente se tiverem 45 anos.

Só você pode decidir o que você quer. Se quiser homem que gosta de ler, vai paquerar na livraria. Se quiser homem que gosta de surfar, vai paquerar na praia. O que não pode é você só ir na loja de peixe, dia após dia, e reclamar que só tem peixe. Que comprou 9 mil peixes na loja de peixes e que eram todos peixes!!
"

Daqui.

Terça-feira, Março 11, 2008

volta, Palocci


"Dolar está derretendo", diz Mantega
"Uma consequência da crise é que o dólar está derretendo. O real está se valorizando, mas é o dólar que está derretendo. E isso é um problema que nos preocupa porque encarece produtos brasileiros, principalmente manufaturados. É um problema que deve ser encarado", avaliou o ministro.


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"Cérebro de Mantega está derretendo", diz Hume

In short, this apprehension of the wrong balance of trade, appears of such a nature, that it discovers itself, wherever one is out of humour with the ministry, or is in low spirits; and as it can never be refuted by a particular detail of all the exports, which counterbalance the imports, it may here be proper to form a general argument, that may prove the impossibility of this event, as long as we preserve our people and our industry.

Suppose four-fifths of all the money in GREAT BRITAIN to be annihilated in one night, and the nation reduced to the same condition, with regard to specie, as in the reigns of the HARRYS and EDWARDS, what would be the consequence? Must not the price of all labour and commodities sink in proportion, and every thing be sold as cheap as they were in those ages? What nation could then dispute with us in any foreign market, or pretend to navigate or to sell manufactures at the same price, which to us would afford sufficient profit? In how little time, therefore, must this bring back the money which we had lost, and raise us to the level of all the neighbouring nations? Where, after we have arrived, we immediately lose the advantage of the cheapness of labour and commodities; and the farther flowing in of money is stopped by our fulness and repletion.

Again, suppose, that all the money of GREAT BRITAIN were multiplied fivefold in a night, must not the contrary effect follow? Must not all labour and commodities rise to such an exorbitant height, that no neighbouring nations could afford to buy from us; while their commodities, on the other hand, became comparatively so cheap, that, in spite of all the laws which could be formed, they would be run in upon us, and our money flow out; till we fall to a level with foreigners, and lose that great superiority of riches, which had laid us under such disadvantages?

the end of life as I knew it



O Ovomaltine tipo suíço, que eu tomo rigorosamente todas as manhãs (quatro colheres de sopa batidas em exatos 500 ml de leite integral) há mais ou menos 28 anos, deixou de ser produzido no Brasil. Percorri cinco supermercados (um deles em outra cidade) e, ao contactar o SAC em desespero, recebi a sombria informação. Aparentemente, a preferência nacional por porcarias como Nescau e Toddy inviabilizou o tipo suíço. Apenas o Ovomaltine chocolate - demasiado doce e enjoativo e com apenas 20% de malte em sua composição - continuará sendo produzido no país.

Portanto, caso o leitor resolva passar as próximas férias em Berna, Zurique ou adjacências, não se acanhe em agraciar este pobre barnabé com duas ou três latinhas. Mamãe agradece.

Sábado, Fevereiro 23, 2008

porque adoro a Veja

Para bom entendedor...

Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008

so what?

Relatório do Banco Central divulgado ontem:

A redução da dívida externa total líquida – quando se deduzem da dívida externa bruta os ativos do país no exterior, constituídos fundamentalmente pelas reservas internacionais – tem sido a mais expressiva. Nos últimos cinco anos, seu estoque passou de US$165,2 bilhões, ao final de 2003, para US$4,3 bilhões, estimativa para 2007. No primeiro mês de 2008, já se estima que esse montante se tornará negativo em mais de US$4 bilhões, significando que, em termos líquidos, o país passou a credor externo, fato inédito em nossa história econômica.

Ok, mas:

(i) Não faz sentido incluir na conta os ativos e passivos do setor privado (isso é problema de cada devedor, não do contribuinte).

(ii) Não faz sentido incluir na conta os ativos e passivos de estados e municípios (isso é problema dos contribuintes de cada estado e município endividado).

(iii) Não faz sentido olhar apenas a dívida federal interna ou externa, o que importa é a soma de ambas.

(iv) Nos últimos cinco anos essa soma passou de R$ 965,8 bi para R$ 1.333,8 bi.

(v) Essa soma aumenta todo ano, pois as contas do governo federal sempre fecham no vermelho.

(vi) Em vista de (i), (ii), (iii), (iv) e (v), você pode tirar esse sorriso idiota da cara.